Espaço de textos, estudos, ensaios e opiniões do Pastor João Viegas

09
Mar 08

Era uma sexta-feira.

No mercado de peixe de Constantinopla havia barulho, pregões, sujeira e muita gente.

Tomáz de Arezo, um rapaz italiano a estudar grego na cidade, escolheu o seu peixe, ajustou o preço. O vendedor embrulhou-o, recebeu o dinheiro, e Tomás regressou a casa.

Preparou-se para lavar o peixe e, curioso como todo o bom estudante deve ser, deu uma olhadela para o papel do embrulho. Coisa que todos fazemos frequentemente.

Era uma folha escrita em grego, com traços grossos, com iniciais em vermelho. Foi lendo e esqueceu-se da refeição e do peixe. Porque se deu conta de que se tratava de algo muito antigo e com muito interesse.

Correu de novo ao mercado, pelas ruelas mal empedradas daquela parte da cidade e por mais umas poucas moedas o vendedor do peixe cedeu-lhe as folhas todas que tinha iguais àquela. (E quantas já não se teriam perdido... !). Mas estavam bem conservadas.

Isto passou-se em 1436.

O jovem Tomás verificou então tratar-se de vários documentos com séculos de antiguidade, entre os quais a CARTA A DIOGNETO, do II século da era cristã, dos primeiros tempos da Igreja. Uma carta dirigida por não se sabe bem quem a um grego não-cristão falando-lhe da Fé cristã.

Ainda o canon bíblico não estava completo e organizado!

Mas a Igreja - é de assinalar - por muito interessante e doutrinariamente fiel que seja o texto desta Carta, não entendeu adoptá-lo como inspirado e, portanto, como Palavra de Deus.

Mais tarde essas preciosidades vieram parar às mãos de antiquários e hoje temos um texto (tal como outros) que se lê bem (não é longo) e que não fazendo parte das Escrituras não se desvia do ensino dos Apóstolos. É espiritualmente estimulante.

Está publicado pelas Edições ALCALÁ, de Lisboa.

Eis uma pequena transcrição de partes do cap V dessa "Carta a Diogneto".

Tem muitos ecos das Cartas do Novo testamento:


in http://www.iqc.pt/

 

 

Os cristãos

(...)
Habitam pátrias próprias mas como peregrinos,
participam de tudo como cidadãos, mas tudo sofrem como estrangeiros.
Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria, uma terra estrangeira.
Moram na Terra e são regidos pelo Céu.
Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis através das próprias vidas.
Amam todos e por todos são perseguidos.
São condenados à morte e ganham a Vida.
São pobres mas enriquecem muita gente.
De tudo carecem mas abundam em tudo.
Insultados bendizem.
Fazendo o bem são punidos como maus,
fustigados, alegram-se...
São hostilizados pelos Judeus como sendo estrangeiros; e são perseguidos pelo Gregos.
E os que os odeiam não sabem explicar a causa desse ódio.
(...)
publicado por Jv às 10:30

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